Mais sobre a questão logística global no estreito de Ormuz e a inflação (quase) silenciosa

O remanso do mar no Oriente Médio atinge diretamente o custo de impressão de uma embalagem de luxo em uma gráfica paulista ou o orçamento para tiragens de cadernos escolares no Sul do país.

As constantes tensões geopolíticas ao redor do Estreito de Ormuz e as paralisações operacionais na rota do Mar Vermelho provocaram um rearranjo forçado de imensas frotas de navios cargueiros.

Mas como isso impacta especificamente os insumos gráficos brasileiros?
A resposta dolorosa resume-se a uma palavra: inflação importada.

O gargalo das grandes rotas marítimas

O Estreito de Ormuz e o canal de Suez são passagens vitais para a sustentação comercial das cadeias produtivas.

Quando conflitos obrigam gigantes marítimas a redirecionarem suas rotas, muitas vezes contornando todo o continente africano pelo Cabo da Boa Esperança para fugir de bombardeios ou apreensões de carga, o resultado financeiro entra na maré negativa:

  1. Explosão do frete marítimo: O preço do contêiner aumenta da noite para o dia.
  2. Aumento nas apólices de seguro: As seguradoras podem aplicar taxas de “risco de guerra” para embarcações que ousam trafegar por rotas tensionadas.
  3. Tempos prolongados (Lead Times): O remanejamento de rotas e navios causa atrasos inesperados.

Essa somatória resulta no encarecimento drástico de commodities fundamentais.

Como as gráficas sofrem com o efeito dominó

Embora o Brasil seja um gigante exportador de celulose, o ramo gráfico é vulnerável no que tange a produtos e insumos de alta tecnologia.

Substratos, papéis especiais com revestimentos de barreira, tintas, vernizes, matrizes de impressão e as peças de reposição e componentes eletrônicos dos maquinários offset e digital vêm também de outros países.

Quando o tempo de importação desses insumos aumenta e o custo logístico muda a todo instante, os grandes distribuidores ficam em uma posição desagradável.

Protegendo orçamentos para garantir a sobrevivência

Para diretores e gestores das gráficas brasileiras, a visão analítica desse panorama exige readequação em vários sentidos:

  • Ajuste de cláusulas comerciais: Grandes fornecimentos, licitações corporativas contínuas de rótulos ou embalagens devem possuir válvulas de escape para oscilações bruscas no custo da resina plástica e de polímeros.
  • Revisão do planejamento de estoque (Safety Stock): Operar na modalidade rígida de just-in-time expõe a fábrica à quebra de linha (machine downtime) se as tintas importadas atrasarem no porto.

A crise de Ormuz é um lembrete contundente de que, na indústria de impressão, quem não acompanha o noticiário logístico internacional corre o sério risco de baixar o caixa.