Cerca de 40% das livrarias brasileiras projetam crescimento de até 10% nas vendas no segundo semestre de 2025. O dado faz parte de uma pesquisa interna e inédita da Associação Nacional de Livrarias (ANL), que revela o clima de otimismo após um primeiro semestre positivo.
“Os números confirmam a resiliência das livrarias e reforçam sua relevância como espaços culturais e de convivência. O contato físico com o livro, com autores e com a comunidade leitora é um valor que nenhuma experiência digital substitui”, afirma Alexandre Martins Fontes, presidente da ANL.

O levantamento também aponta que 26,7% dos entrevistados esperam um alto aumento nas vendas (entre 10% e 20%), enquanto 20% projetam estabilidade (variação de até 1%). O clima de otimismo é baseado nos bons resultados obtidos no primeiro semestre pelo setor.
Para 36,7% dos entrevistados, as vendas cresceram entre 5% e 20%, enquanto outros 10% registraram aumento superior a esse patamar. Já para 33,3% dos associados, os resultados permaneceram estáveis em relação ao mesmo período do ano passado.

“Apesar do desafio de competir com as plataformas online, sentimos uma variação positiva nas vendas neste primeiro semestre. Além do fenômeno dos livros de colorir, que tiveram papel importante e impulsionaram o movimento em loja, gêneros como Literatura, Geek, Infantil, Artes e títulos importados também se destacaram positivamente”, explica Eliana Menegucci, CEO da Livraria da Vila.
Paulo Escariz, fundador da Livraria Escariz, concorda. “As vendas no primeiro trimestre foram positivas, crescemos 13%, com destaque para os livros de colorir, que certamente influenciaram esse resultado. Já começamos a sentir uma redução na procura pelo segmento agora no segundo semestre, mas seguimos otimistas de crescer acima da inflação”, afirma.
Já Rui Campos, da Livraria Travessa, aproveita o bom momento do setor para reforçar a importância do livro continuar superando os obstáculos que pareciam apontar para sua obsolescência. “O livro está cada vez mais festejado e reverenciado. E a melhor notícia é que a opção pelo livro impresso se destaca principalmente entre os jovens, que, teoricamente, são mais associados ao digital”, aponta.
Entre os principais impulsionadores do desempenho, os eventos presenciais despontam como destaque. Sessões de autógrafos, lançamentos e encontros literários foram citados por 63,3% dos associados como fatores determinantes para atrair público às lojas.
A presença física, segundo os livreiros, segue insubstituível. “Apesar das promoções serem um atrativo, o que realmente atrai o público é a experiência em loja e a interação entre nossos vendedores-leitores. Acreditamos que o público busca algo que também vai além da compra — ele quer essa troca pessoal e a descoberta que as livrarias físicas proporcionam”, explica Eliana.
Rui Campos aponta que as unidades da Livraria Travessa se transformaram em verdadeiros espaços de eventos. “São centenas anualmente. Como noites de autógrafos, cursos, clubes de leitura… E também dezenas de eventos externos: Feiras em escolas, livraria na Bienal de Artes de São Paulo, na Cinemateca de São Paulo, Fronteiras do Pensamento, Feira do Livro de POA, entre outros”, explica.
As redes sociais (60%) e as ações promocionais (40%) também aparecem entre as principais apostas das livrarias para potencializar resultados. Parcerias estratégicas (36,7%), participação em feiras (3,3%), melhorias no atendimento (3,3%) e diversificação do estoque (3,3%) completam o panorama de iniciativas.
Apesar do cenário otimista, os desafios permanecem. O levantamento também identificou que a principal preocupação segue sendo a concorrência de grandes players digitais, que foi apontada por 70% dos participantes, seguida por atração e fidelização do público (33%) e custos operacionais e tributários (17%).
“A expectativa positiva do setor deve ser celebrada, mas não pode nos afastar dos desafios estruturais. É preciso que leis assegurem competitividade justa e fortaleçam a diversidade cultural no Brasil. Estamos trabalhando ativamente pela aprovação da Lei Cortez porque precisamos cuidar do ecossistema do livro. E as livrarias são parte essencial desse ecossistema”, relembra Alexandre Martins Fontes.
Rui Campos reforça a importância das livrarias para a cultura. “Sem livrarias, todo o mercado livreiro se enfraqueceria fatalmente. Sem livrarias, a tendência de dar a importância que hoje se dá à leitura, se perderia”.
Com mais de 45 anos de atuação, a ANL é a principal entidade representativa do setor livreiro no país. A associação atua na defesa institucional das livrarias, na promoção do livro e na valorização da leitura como pilar de desenvolvimento cultural. A pesquisa foi desenvolvida durante o mês de agosto de 2025, com a rede de associados, que representa cerca de 500 lojas espalhadas por todo o Brasil, entre elas as livrarias Argumento, Catavento, Curitiba, Escariz, Leitura, Da Tarde, Travessa, Vila e Martins Fontes.
DESTAQUES DA PESQUISA DE EXPECTATIVAS PARA O 2º SEMESTRE DE 2025 – ANL
Crescimento no 1º semestre
• 10% tiveram alto crescimento (acima de 20%)
• 36,7% das livrarias registraram crescimento (entre 5% e 20%)
• 33,3% mantiveram vendas estáveis (entre -5% e +5%)
• 16,7% queda moderada nas vendas (até 20%)
• 3,3% queda alta nas vendas (acima de 20%)
Expectativas para o 2º semestre
• 6,7% crescimento muito alto (acima de 20%)
• 26,7% esperam aumento alto (entre 10% e 20%)
• 40% projetam crescimento moderado (de até 10%)
• 20% projetam estabilidade (variação de até 1%)
• 3,3% queda moderada (de até 10%)
• 3,3% queda alta (acima de 10%)
Principais impulsionadores apontados (múltipla escolha)
• Eventos presenciais em livrarias – 63,3%
• Redes sociais – 60%
• Ações promocionais – 40%
• Parcerias estratégicas – 36,7%
• Diversificar estoque – 3,3%
• Melhorar atendimento – 3,3%
• Feiras – 3,3%
Maiores desafios (múltipla escolha)
• Concorrência digital – 70%
• Atração e fidelização – 33%
• Custos operacionais – 17%
• Acesso a estoque e distribuição – 16,7%
• Outros – 9%

Sobre a pesquisa – Os dados apresentados fazem parte da Pesquisa de Expectativas para o 2º Semestre de 2025, realizada pela Associação Nacional de Livrarias (ANL). O levantamento foi conduzido ao longo do mês de agosto de 2025 junto à rede de associados da entidade, que reúne aproximadamente 500 lojas distribuídas em todas as regiões do Brasil. O objetivo foi identificar percepções, desafios e projeções de desempenho do setor para o segundo semestre do ano, oferecendo um retrato atualizado do mercado livreiro nacional.

